Fatalismo
Já repararam como o ser humano tem medo do futuro, e muito mais de tentar prevê-lo?
Sempre que se pergunta (principalmente para pessoas mais velhas, educadas em uma visão cristã de mundo) sobre algum plano futuro, como uma viagem próxima, a resposta quase sempre termina com um "Se Deus quiser...".
É como se fosse um pecado tentar contrariar a vontade divina do futuro já pré-programado, como se fôssemos castigados por tentar dizer algo que de alguma maneira possa contrariar o destino.
Mas na verdade não seria uma petulância, uma arrogância e uma contradição achar que esse Ser Todo-Poderoso se importaria com nossas palavras e nossos planos, já que até essas palavras e esses planos já estariam todos pré-definidos?
Sempre que se pergunta (principalmente para pessoas mais velhas, educadas em uma visão cristã de mundo) sobre algum plano futuro, como uma viagem próxima, a resposta quase sempre termina com um "Se Deus quiser...".
É como se fosse um pecado tentar contrariar a vontade divina do futuro já pré-programado, como se fôssemos castigados por tentar dizer algo que de alguma maneira possa contrariar o destino.
Mas na verdade não seria uma petulância, uma arrogância e uma contradição achar que esse Ser Todo-Poderoso se importaria com nossas palavras e nossos planos, já que até essas palavras e esses planos já estariam todos pré-definidos?
Flanelinhas
Do jeito que a coisa anda, daqui a alguns anos esses sujeitos que vivem da extorsão alheia vão querer começar a cobrar dos pedestres o direito de caminhar pela rua.
E isso também vai ser visto como algo normal, nesse nosso Brasil.
E isso também vai ser visto como algo normal, nesse nosso Brasil.
Brasil: o país do medo
Tenho medo de sair a pé fora de casa, tenho medo de dirigir à noite, e tenho medo ao entrar em meu carro estacionado na rua. Tenho medo de mosquito, de dar carona, de passar perto de carro-forte e de catadores de lixo (quem sabe que armas eles escondem em seus carrinhos?). Tenho medo de encomendar coisas através dos correios (já me perderam três produtos) e de ser passado para trás em concursos públicos. E agora, não poderia ser diferente no país do descaso, tenho medo de uma de minhas grandes paixões da infância: andar de avião.
Dias de chuva
Um dia de chuva é uma das situações onde o egoísmo humano pode ser melhor percebido (a direção no trânsito é outra): já notaram que as pessoas que possuem um guarda-chuva para se proteger, mesmo assim, sempre insistem em caminhar por debaixo das marquises, obrigando, deste modo, aos indivíduos desprovidos de tal aparato a andar pela chuva, pois, caso contrário, terão uma grande chance de ter o olho perfurado pelos malditos arames de sustentação dos malditos guarda-chuvas?!
Mas já fiz uma promessa: na próxima precipitação, caminharei sempre reto, sem desviar de ninguém, olhando para o chão. Não dou 30 segundos para o primeiro encontrão e xingamento. A resposta? "E por que tu, oh senhor da rua, não desviaste?"
Mas já fiz uma promessa: na próxima precipitação, caminharei sempre reto, sem desviar de ninguém, olhando para o chão. Não dou 30 segundos para o primeiro encontrão e xingamento. A resposta? "E por que tu, oh senhor da rua, não desviaste?"
Presente?
"La física cuántica proporciona, sin embargo, un consuelo a quienes se lamentarían de la desaparición del presente: ninguna duración puede ser inferior al «tiempo de Planck», que dura 5,4.10-44 segundos. Así pues, en buena lógica, es lícito decir «soy» durante este lapso; pero hay que decirlo muy deprisa."
Albert Jacquard
Albert Jacquard
O tempo de cada um
Gordinho, boa gente, sempre com um simpático sorriso amarelo em seu rosto. Como de costume, come em um buffet livre, criando coloridas cordilheiras de alimentos em seu prato fundo. Como sempre, usa uma camisa branca, com alguns botões abertos e meio suja. Nas pernas, uma larga calça social, um pouco rasgada pelo uso, e desgastados sapatos pretos.
Em seus 26 anos de vida já tinha se apaixonado duas vezes, ambas sem sucesso. Hoje, quando ia começar a consumir a cadeia montanhosa com sua colher, se apaixonou pela terceira vez. A garota que lhe arrebatou se sentava a duas mesas de distância e comia somente um pouquinho de salada. No mesmo instante, o jovem se encheu de energia e tomou a decisão de mudar de vida, de emagrecer e quem sabe assim ter alguma chance com o sexo oposto.
Largou o prato e saiu rapidamente do restaurante. Quem sabe iria comprar uma flor para a menina ou talvez procurar uma academia nas proximidades.
De repente parou. Teve um infarto fulminante. Infelizmente já era muito tarde para ele.
Em seus 26 anos de vida já tinha se apaixonado duas vezes, ambas sem sucesso. Hoje, quando ia começar a consumir a cadeia montanhosa com sua colher, se apaixonou pela terceira vez. A garota que lhe arrebatou se sentava a duas mesas de distância e comia somente um pouquinho de salada. No mesmo instante, o jovem se encheu de energia e tomou a decisão de mudar de vida, de emagrecer e quem sabe assim ter alguma chance com o sexo oposto.
Largou o prato e saiu rapidamente do restaurante. Quem sabe iria comprar uma flor para a menina ou talvez procurar uma academia nas proximidades.
De repente parou. Teve um infarto fulminante. Infelizmente já era muito tarde para ele.
Liberdade?
Somos escravos de nosso corpo, enjaulados nessa prisão de carne e osso.
Corpo que nos obriga incessantemente a alimentá-lo, dando-nos como recompensa uma breve sensação de saciedade.
Este mesmo corpo nos obriga indefinidamente a buscar satisfação sexual, dando-nos uma recompensa um pouco maior no fim, caso atinjamos seu objetivo.
Somos como ratinhos de experiência que recebem seu pedaço de queijo ao final dos testes, pelo trabalho bem feito.
Somos servos de nossa existência. Obrigados a existir, existir numa busca inexorável de comida e procriação.
Corpo que nos obriga incessantemente a alimentá-lo, dando-nos como recompensa uma breve sensação de saciedade.
Este mesmo corpo nos obriga indefinidamente a buscar satisfação sexual, dando-nos uma recompensa um pouco maior no fim, caso atinjamos seu objetivo.
Somos como ratinhos de experiência que recebem seu pedaço de queijo ao final dos testes, pelo trabalho bem feito.
Somos servos de nossa existência. Obrigados a existir, existir numa busca inexorável de comida e procriação.
Petulância
Situação: Cedo da manhã, eu dormindo, tendo um sonho muito agradável.
Pai: – Filho, tem um cara querendo falar contigo. Um carioca, malandro.
Eu: – Alô?
Telechato: – Seu Peterr?
Eu: – Sim...
Telechato: Seuuu Peeeterrr!!
Eu: – ...
Telechato: Pois é seu Peterr, estou aqui...
Eu: – É “webmarketing”?
Telechato: É...
Eu: – Então não quero, tchau.
Telechato: Pô, seu Peterr, não vai deixarr eu nem apresentarr o produto?
Eu: – Não, obrigado!
Desligo e caio rapidamente no sono, quando, logo depois, meu pai volta:
Pai: – É o carioca de novo!
Eu: – Alô?!
Telechato: Seu Peeterr! Não é webmarketing não! É telemarketing! Deixe-me apresentar meu maravilhoso produto...
Pai: – Filho, tem um cara querendo falar contigo. Um carioca, malandro.
Eu: – Alô?
Telechato: – Seu Peterr?
Eu: – Sim...
Telechato: Seuuu Peeeterrr!!
Eu: – ...
Telechato: Pois é seu Peterr, estou aqui...
Eu: – É “webmarketing”?
Telechato: É...
Eu: – Então não quero, tchau.
Telechato: Pô, seu Peterr, não vai deixarr eu nem apresentarr o produto?
Eu: – Não, obrigado!
Desligo e caio rapidamente no sono, quando, logo depois, meu pai volta:
Pai: – É o carioca de novo!
Eu: – Alô?!
Telechato: Seu Peeterr! Não é webmarketing não! É telemarketing! Deixe-me apresentar meu maravilhoso produto...
Militância
Alguém acredita nestes "militantes" que têm por aí?
Desde quando um maloqueiro entende de política?
Bad Javali®

Hoje em dia, principalmente dentre os jovens, a moda é ser mau, malandro, bombado e agressivo. Na selva em que vivemos, é uma das artimanhas dos de pouco cérebro para se destacar. É uma maneira de aparecer e, assim, quem sabe, levar uma potranca pro abate.
Temos para este pessoal, quase sem concorrência, produtos da marca Bad Boy. Observando isto, a equipe do leiaesteblog (eu!), resolveu investir neste nicho de mercado pouco explorado e criar um concorrente à altura da Boy, a Bad Javali Inc.®
Com uma linha de produtos que vai desde camisetas apertadas até aparatos de surf (com a Bad Java Wet Suits®), passando por uma linha infantil para as criancinhas saradas (Bad Javalizito Rasteiro®)
Interessados em participar da sociedade para a abertura desta empresa, por favor, entrem em contato. Grato.
Temos para este pessoal, quase sem concorrência, produtos da marca Bad Boy. Observando isto, a equipe do leiaesteblog (eu!), resolveu investir neste nicho de mercado pouco explorado e criar um concorrente à altura da Boy, a Bad Javali Inc.®
Com uma linha de produtos que vai desde camisetas apertadas até aparatos de surf (com a Bad Java Wet Suits®), passando por uma linha infantil para as criancinhas saradas (Bad Javalizito Rasteiro®)
Interessados em participar da sociedade para a abertura desta empresa, por favor, entrem em contato. Grato.
Pythagoras Switch
Aberturas de um programa infantil japonês da rede NHK. Muito legal, sendo imitado na entrada do antigo Rá-Tim-Bum da TVE e numa recente propaganda da Honda.
Antepassados
Árvore genealógica? Melhor seria "Árvore ginecológica". Tudo se resume a isto: paixão, sexo e, quem sabe, amor. Descendo de italianos, espanhóis, holandeses, negros e índios. Racismo é algo que, definitivamente, não existe na cama.
Só no Brasil
Clodovil, gay assumido, é eleito pelo Partido Trabalhista Cristão. (O PTC se chamava PRN, lembram? O partido que elegeu Collor em 1989)
Talvez a mensagem de um de seus eleitores possa esclarecer melhor as coisas:
______________
Talvez a mensagem de um de seus eleitores possa esclarecer melhor as coisas:
______________
comtato
18 Setembro, 2006 - 15:45, por djalma almeida (not verified)
presivo ter um contato com vc. clodovil, nos adimiramos muito vc, quero ser um voluntario para porder ajudalo na sua campanha, entre nos em contato com nos
obrigado
______________
Nem vou me dar ao trabalho de falar sobre Maluf, Collor, Paulo Borges, Mano Changes, Robgol...
Já que é época de eleições
"O Japão possui uma Força de Defesa Civil, cujo único dever é certificar que a soberania japonesa continue existindo, mas não possui Exército, Marinha, nem mesmo Aeronáutica. Toda a verba que seria destinada para a compra e desenvolvimento de armamento e tecnologia militares é destinada à educação, e isso tornou o país, em pouco tempo, uma das maiores potência econômicas do mundo." fonte
Se algum dos candidatos apresentasse uma proposta parecida ganharia na hora o meu voto.
Se algum dos candidatos apresentasse uma proposta parecida ganharia na hora o meu voto.
O dom e a vagabunda
É um homem apaixonado. Sempre se encanta por uma diferente, ou mesmo mais de uma, principalmente se for um dia quente de verão. Decote, saia pequenina, sabe? Coxas à mostra, adora principalmente as coxas (engraçado, do frango só come a asa). Hoje, no gelado do inverno, com a cabeça de cima no lugar (nesses dias frios parece que perdemos nossos hormônios), decidiu que não ia mais se apaixonar. Quem tudo quer nada tem, tinha lido num livro de auto-ajuda. Resolveu que iria amar.
Assanhada, era seu apelido junto às amigas mais íntimas. Em seus dezenove anos de vida (e que vida!) tinha mais experiência do que muita senhora de cinqüenta. Nada para ela era novidade. No marasmo diário sem originalidades acabou por conhecer Nélson. O Rodrigues. Aonde ia o levava embaixo do braço. Ali sim encontrava coisas diferentes. Decidiu que ia ser dama. A dama do ônibus.
Preparou o ritual de conquista, nenhuma garota lhe escaparia. No bolso uma cartinha de amor com versos de Vinícius e uma singela flor feita de guardanapo. Mas seu grande trunfo, algo que nem Don Juan havia usado, era esse: quando criança reparou que todas as mulheres, principalmente as senhoras, se derretiam quando ele tocava sua flauta doce perante a família. Ah! Seria o Flautista de Hamelin moderno. Só que em vez de ratos atrairia mulheres. Ou melhor, a mulher.
Nem tinha ido à aula hoje. Tudo teria que estar perfeito para sua nova experiência. Acordou se sentindo muito atraente e tomou um banho demoradíssimo de banheira. Após, relaxada, ungüentou todo o corpo, fez as unhas (vermelhas, a cor da conquista!) e se depilou. O traje já havia escolhido no dia anterior, não importando se faria frio ou calor: blusinha preta bem colada, saia jeans justíssima e seus tamancos mais altos. O detalhe final era o cabelo, em rabo-de-cavalo. Era a única dentre as amigas que gostava desse penteado. Talvez usasse assim para mostrar a tatuagem em seu pescoço, uma naja.
A guardou e aguardou. Os ônibus passavam, sem nem mesmo diminuir a velocidade, pela parada onde esperava. Se não tem mulher junto esses desgraçados não param, pensou. Finalmente um motorista de melhor coração resolveu atender aos seus chamados, quase histéricos. O ônibus estava vazio, a não ser por um indivíduo de uns trinta anos, comendo mandolate, sentado na penúltima fila de bancos. Acomodou-se logo atrás, na última fileira. Ficando ao centro, para ter uma visão privilegiada. Retirou a flauta e aguardou.
Não precisou nem levantar sua delicada mão para o ônibus parar. Notou o olhar faminto do motorista ao subir as escadas. Fez uma cara de ‘que que foi seu tarado?’ para ele mas na verdade ficou muito excitada com tudo. Deu uma bela olhada para o bonito cobrador enquanto passava pela roleta mordendo os lábios. Avistou os sujeitos lá adiante e foi-se lentamente. Estava numa passarela, gostosa, olhando os dois ao mesmo tempo e decidindo quem seria o felizardo.
É ela! Essa é pra casar! Pegou o instrumento e começou a tocar a única canção que conseguia se lembrar no calor do momento: "Brilha Brilha Estrelinha". Estava funcionado, a dama se aproximava. Talvez olhasse pra ele, não tinha certeza.
Foi e parou logo à frente dos dois que estavam sentados. Não gostou de nenhum. O primeiro não havia nem ao menos virado o rosto para ela e o outro era um maluco tocando flauta. Preferiu encarar o maluco. Olharam-se por uns cinco segundos até que ele desviou os olhos, provavelmente envergonhado. Tentou travar uma mirada com o outro sujeito, mas nada. Resignada, voltou-se e partiu em direção à roleta.
Sabem, ainda não sei se foi um dia de sorte ou de azar para o nosso amigo flautista. Perdeu, mesmo sem saber, o maior prazer que teria em toda sua vida. Mas ganhou, e agora com a ajuda do instrumento de sopro, o coração de outra moça que embarcaria no final da linha. Era a cobradora, que fez o favor de substituir um colega sortudo: o tal bonito cobrador, que nasceu virado para a lua mesmo: além de sair com vocês sabem quem, largou bem antes do serviço e ainda poderia, no dia seguinte, se gabar junto ao pessoal da firma, principalmente para aquele safado do motorista!
Assanhada, era seu apelido junto às amigas mais íntimas. Em seus dezenove anos de vida (e que vida!) tinha mais experiência do que muita senhora de cinqüenta. Nada para ela era novidade. No marasmo diário sem originalidades acabou por conhecer Nélson. O Rodrigues. Aonde ia o levava embaixo do braço. Ali sim encontrava coisas diferentes. Decidiu que ia ser dama. A dama do ônibus.
Blog fantasma
A falta de comentários neste blog, sejam críticas, sugestões ou elogios, só me faz pensar uma coisa:
Os textos aqui apresentados não passam de medianos. Triste.
Definitivamente, meu futuro é o funcionalismo público, tendo a renda incrementada com vendas pela internet.
Os textos aqui apresentados não passam de medianos. Triste.
Definitivamente, meu futuro é o funcionalismo público, tendo a renda incrementada com vendas pela internet.
Assinar:
Postagens (Atom)



